Uma história verdadeira e comovente, que toca o coração, como sempre são as situações em que se consegue fazer o bem às crianças mais pobres e abandonadas, as preferidas do nosso querido pai Dom Bosco.
Arequipa é a segunda maior cidade do Peru, depois da capital Lima, com um milhão de habitantes que vivem num planalto dos Andes a cerca de 2.400 metros acima do nível do mar. Os salesianos chegaram a esta cidade colonial no final do século XIX e fundaram imediatamente uma escola.
Hoje, a obra de Dom Bosco, animada pela comunidade salesiana com cinco salesianos e cerca de 150 leigos (professores, educadores, formadores, assistentes, animadores), inclui o “Colégio Dom Bosco”, escola secundária com 730 alunos muito apreciada pela população devido à preparação técnica/tecnológica para o mercado de trabalho ou para a universidade; o “CetPro”, centro de formação profissional com 140 alunos que oferece cursos profissionais de dois anos, principalmente programados em cursos noturnos, destinados a trabalhadores que pretendem aumentar as suas competências no mundo do trabalho; o grupo “Mamma Margherita” que reúne todos os sábados à tarde cerca de 500 mulheres para atividades, coordenadas por cerca de 50 voluntárias, e que, juntamente com muitas crianças e jovens, transformam os pátios da escola num oratório cheio de vida, desporto, música e atividades educativas; e a “Casa Dom Bosco”, uma casa de família que acolhe 28 jovens em situação de risco, provenientes de famílias em dificuldades económicas, sociais e relacionais.





A história da Casa Dom Bosco
Os menores acolhidos no lar são 23, aos quais se somam cinco jovens que completaram 18 anos e que, depois de terminar o ensino médio, fizeram estudos universitários. Cada um deles tem uma história familiar e pessoal feita de privações, carências afetivas, violência, subnutrição. Vêm dos arredores da cidade e das áreas montanhosas em volta.
O diretor da obra, Pe. Pedro da Silva, é como um pai para estas crianças, vai procurá-las nas escolas frequentadas pelos mais pobres. Com a ajuda dos diretores das escolas, tenta descobrir as crianças que têm mais dificuldades e, auxiliado por uma equipa de educadores, avalia a possibilidade de serem acolhidas na Casa Dom Bosco.
Almocei com eles e visitei a casa: simples, sem luxos, tudo limpo, as camas bem feitas, a sala de estudo arrumada, mas, acima de tudo, respira-se um ambiente familiar, sereno, cordial, feito de amizade e ajuda mútua.
No início não é fácil, conta o Padre Pedro. Nesta jornada educativa, são de grande ajuda aqueles cinco jovens maiores de idade, que conseguem entender rapidamente os problemas dos mais novos porque já os viveram e, como irmãos mais velhos, estão ao lado deles na sua jornada de crescimento, com grande disposição para servir até nas coisas mais simples e concretas.
Na Casa Dom Bosco há uma cozinheira, mas não há outros funcionários; os menores, liderados pelos mais velhos, é que limpam e ajudam na cozinha. Também gerem o refeitório da escola. Os alunos que frequentam o refeitório são pouco mais de uma centena: entre eles, os jovens e os menores da Casa Dom Bosco que servem, limpam e lavam a louça. Tudo isto permite-lhes juntar algum dinheiro para financiar a sua experiência de vida. O estado peruano não ajuda, as famílias de origem também não podem. Eles vivem dos frutos do seu serviço e da solidariedade de muitos benfeitores das “Missioni Don Bosco”.
Texto adaptado de BS Itália. Fotografia: Salesianos do Peru




Publicado no Boletim Salesiano n.º 608 de março/abril de 2025
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