Entrevista ao Administrador da Província Portuguesa da Sociedade Salesiana ao Capítulo Geral 29, Orlando Camacho, sobre o Capítulo Geral 29 para o Boletim Salesiano.
Dom Bosco sempre considerou uma “peça-chave”, no seu sistema organizativo, o salesiano leigo. Quer comentar?
Jesus e os Apóstolos eram ‘leigos’, pois não provinham da classe sacerdotal judaica. Infelizmente, a clericalização da Igreja foi crescendo ao longo da história. D. Bosco fundou a Congregação Salesiana condicionado pela lógica clerical do seu tempo. E é o que temos, apesar da lufada de ar fresco introduzida pelo Papa Francisco.
Os salesianos estão a viver em espírito de Capítulo Geral (CG). Cerca de 225, provenientes de dezenas de nações, estão reunidos em Turim para encontrar caminhos de futuro. Se fosse capitular que proposta faria na perspetiva de abrir novos caminhos?
Proporia uma reorganização administrativa que equilibrasse de forma mais eficiente a animação e o controlo central com cada missão provincial.
É Administrador da Província Portuguesa. No âmbito do seu pelouro que medida gostaria de ver aprovada?
Gostava que fossem aprovadas medidas que potenciassem uma gestão mais profissional e eficiente. Não é fácil gerir uma organização presente em tantas realidades, tão diferentes e dispersas. É o desafio que temos de enfrentar.
Estamos em tempos sinodais. A parte terceira da convocatória do CG é dedicada à revisão dos Estatutos. Espera medidas inovadoras? De que tipo?
O serviço da autoridade tem de ser reavaliado tanto no seu acesso como no período de nomeação e respetiva renovação. Não pode haver sócios de primeira e de segunda, pois todos o são de pleno direito. Isso significa que todos devem ter voz ativa e passiva. Os leigos não são membros de pleno direito porque não são elegíveis para o topo das funções diretivas.
Acha que a Família Salesiana está representada na magna assembleia?
A Família Salesiana, nas suas diversas formas, tem, e deve continuar a ter, autonomia própria. Cada grupo é parceiro com os SDB e não um passivo destinatário da missão salesiana. Penso que o CG29 procedeu bem ao convidar representantes dos diferentes ramos, embora sem direito a voto. É bom partilhar a mesma missão, sem interferir na organização de cada grupo.
Publicado no Boletim Salesiano n.º 608 de março/abril de 2025
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